Análise dos Censos 2021 (dados preliminares)

Atualizado: Ago 22

Na reunião de 4 de agosto, o Executivo Municipal tomou conhecimento dos Dados Preliminares dos Censos 2021.


Conheça a intervenção do Vereador Tiago Malato sobre este ponto:


«Em relação à análise aqui feita, quero apenas referir que, independentemente do esforço, a análise demográfica é mais que nunca estratégica e não se deve ater a meras análises grosseiras de longo prazo, e sem relativizar as dimensões dos aglomerados. Aliás, acho que o que é digno de registo aqui é precisamente a análise aqui feita. A Câmara tem de ser mais competente.


Posto isto, e de forma muito célere quero afirmar aqui o meu espanto, pela positiva, sobre os resultados preliminares agora em apreço.


Igualmente dizer que tenho baseado as minhas análises nas perspetivas anuais do INE e estas ficam aquém do que agora se revela. E ainda bem.


E passo a explicar, os únicos concelhos a apresentar uma taxa de crescimento negativa de um dígito são Campo Maior (-4,9%) e Castelo de Vide (-8,4%) e Ponte de Sor (-8,8%), bastante acima da média do Alto Alentejo (-11,4%) abaixo da média do Alentejo (-6,9%). Referir que a Freguesia de São João Batista revelou uma diminuição de 1,3% da população. E, pelo contrário, Santa Maria da Devesa,11,7%. A Póvoa perdeu cerca de 10,4 % da sua população.


Desde 2015 que a população de Castelo de Vide é nas perspetivas INE inferior ao valor que se revela nos Censos 21. Desde 2018 que é referida como abaixo de 3000 habitantes. Ora, se o valor que se contabiliza é de 3121 Residentes (ou presentes?) e se as perspetivas do INE acomodam a natalidade e a mortalidade (saldos naturais) então este aumento deve-se a novos residentes. É necessária, claro está, uma análise mais aprofundada. Entender de que tipo de migração positiva estamos a falar. Entender a função das habitações institucionais/LARES NESTE PROCESSO. Por exemplo, se analisarmos a variação de agregados familiares verificamos que campo maior (-0,6%), Elvas (-3,7%), Ponte de Sor (-4,8%), Portalegre (-5,8%), Monforte (-6,3%), Arronches (-6,6%), são concelhos com menores perdas em agregados familiares que Castelo de Vide (-7,7%).

Indo mais longe: constatamos que em trinta anos (entre 1991 e 2021), Castelo de Vide perdeu 24,7% da população. Nesse período o Alentejo perdeu 9,9% e o Alto Alentejo 22,2%. Nesse período Castelo de Vide foi o 7º concelho do Distrito melhor em perda de população.

A década 2001-2011 foi a pior para Castelo de Vide, com perdas de 12% e o nono melhor resultado do Distrito em perda de população. Castelo de Vide perdeu nessa época o dobro da média do Distrito.


Entre 1991 e 2001, Castelo de Vide teve o sexto melhor resultado em variação (perda de 6,6%) próximo da média do Distrito (-5,6%).


Mas sem dúvida, os resultados preliminares dos Censos 2021, são uma boa notícia e de forma alguma, retiro a ação de promoção da Câmara, desta equação. Como digo, estes números têm de ser analisados com a competência que merecem.


E aproveito para dizer que em todo desmerece esta análise do que tenho dito; é necessário subir a ambição e ir ainda mais longe. Sair do nível de promoção simples, para a captação seletiva de novos residentes. Passará certamente pela definição de perfis de interesse, promoção competente das oportunidades no Concelho nomeadamente em áreas urbanas fora do Distrito. Lembro por exemplo a oportunidade do SPACE, de que enquanto vereador ainda não conheço a estratégia de promoção, definição de perfis, e captação de potenciais interesses. Certamente não servirá o espaço para vender fruta. O que se pode e é conveniente lá colocar?

No geral, a ambição da Câmara tem de passar pela estruturação da base económica local. Estudar e regular as oportunidades de forma comum um sector fundamental como o turismo. Definir e reforçar outras fileiras produtivas, nomeadamente do mundo rural e tecnológicas. Acompanhar e facilitar a instalação regulada.»





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