Indicadores Económicos do Concelho de Castelo de Vide - ou a falta deles

Atualizado: Mar 22

Na reunião de Executivo Municipal de 17 de março, foi apresentado o estudo dos indicadores económicos do concelho de Castelo de Vide no ano de 2020, que mais uma vez, se limitaram à análise dos indicadores de levantamento de dinheiro em ATM, e o pagamento por terminal multibanco.


Veja a intervenção do Vereador Tiago Malato, sobre o estudo apresentado:


«Isto parece uma teima. Bem sei que afirmam ter sentido a necessidade de corresponder ao desafio por mim lançado, que mais não é do que a necessidade de termos de forma clara indicadores que permitam a leitura do estado de vida e da economia em Castelo de Vide. Não será nada de novo. Apenas bastará pesquisar o que se faz vulgar e corriqueiramente em outras autarquias. Análise mais interna e não apenas a comparação externa que pouco ou nada diz sobre o estado da economia e as condições de vida da população. Torno a referir que quem deveria ser o promotor dessa resposta seria o gabinete de Sociologia Municipal, que pura e simplesmente não existe.


Uma primeira nota para vos dizer que não faço aqui o oposto do que os senhores fazem ao querer dourar a pílula. Não venho aqui dizer que está tudo mal, mas tão somente dizer que este estudo, em muito enviesado, não acrescenta nada de substancial ao que precisamos de saber.


Refere o documento agora apresentado em título "alguns indicadores económicos do concelho de Castelo de Vide". E o que vemos? Valores de produção por sectores? natureza das atividades instaladas? tempos de vida das empresas? rendimentos médios por sectores de atividade?


Não! Lá vamos nós para o indicador dos movimentos de Multibanco. Que aliás vem nos dizer que não vale a pena fazer eventos em Castelo de Vide uma vez que ao se não fazer, temos o melhor resultado de sempre!


Como é claro, não passa de uma anedota, que nos informa da necessidade de variar e complementar os indicadores de caracterização, o que não acontece. Para o presidente os Multibancos explicam tudo. E com eles podem-se fazer uns ramalhetes de palavras difíceis, para apresentar à população distraída ou que confia. Afinal o Poder é o Poder.


Gostaria de saber, por exemplo, quanto explica o Pingo Doce nestes movimentos? O lucro irá para onde? Tudo isto já foi exaustivamente falado. Lembro a intervenção de Filipe Luz e o exemplo que deu da bomba de gasolina em Espanha.


E acrescento que é uma falácia pensar que as verbas levantadas ou pagas no multibanco possam ser consideradas em distribuição per capita, no que respeita à população local. Se um lisboeta levanta dinheiro e vai gastar longe ou no Pingo Doce, de que forma isto pode ser dividido pela população local de 2011?


Enfim. O que quero mesmo dizer é que se esta energia colocada neste trabalho, onde conflui multibanco, população de 2011, análise fatorial sobre poder de compra de 2017, para explicar 2021, fosse aplicada na construção de uma bateria coerente de indicadores para avaliação local e regular, seria muito bem aplicada. Por exemplo e só a abrir, estudar a distribuição de estabelecimentos e do emprego por sectores de atividade, emprego próprio e por conta de outrem, o ganho médio e proporção de empregados por níveis de formação e sectores, as habilitações da população ativa residente e ganho mediano, qualidade empresarial de sector por qualidade de recursos humanos, crescimento médio anual do número de estabelecimentos, nº de empregados, nº de encerramentos de empresas, correlação entre número de estabelecimentos e emprego, destino de empregados que trabalham fora, investimento estrangeiro, exportações, rácios financeiros por sector de atividade, natureza de contratos de trabalho, indicadores de mobilidade e movimentos pendulares, por exemplo. Mas também, reformas médias, estudo do poder de compra da população local, (e não o derivado da análise fatorial que aqui no estudo só serviu para comparar com outros, desprezando a escala local). Os indicadores que dei podem servir de pista, mas para se ser sério seria necessário preparar o que queremos realmente saber, que deverá ser mais importante do que o que queremos realmente publicitar em manobra de propaganda. Ou não se tenham escrito as conclusões antes do suposto estudo.


Quanto à utilização do indicador per capita, não sei se repararam que era de publicação bienal. O último realizado foi em 2017.


Os indicadores usados, a que fiz bastante referência em mandato anterior, em reunião de câmara, são indicadores per capita do poder de compra (relativo a 100 / média nacional), % do poder de compra (que aqui aparece, mas mal escrito, reduzindo a %) e Fator dinamismo relativo. As limitações ao uso deste indicador mereceram retrato em nota explicativa do INE, onde se afirma o cuidado a ter no seu uso, ainda para mais em comunidades com a dimensão da nossa.


Sinceramente, louvo o exercício, mas parece-me uma grande salsada. Com conclusões no mínimo tendenciosas e que na realidade nada dizem sobre o que internamente se passa no concelho. Como se pode fazer referência no contexto ao plano de obras municipais em curso? São empresas do concelho? Quantos funcionários do concelho?


A reduzida taxa de desemprego, infelizmente, é conjuntural, uma vez que vai a reboque das obras. Se esse é o sentido estratégico aqui em causa, não seria ideal dilatar as obras no tempo, de forma assegurar sempre emprego? (como é óbvio esse não pode ser o único objectivo! Será necessário dinamizar o emprego, extra câmara e em diversos sectores); a terceira linha é “sector da Construção civil em Alta! e a última “adesão do turismo nacional. Ou seja, de quatro explicativos três estão ligados à construção civil, que aparentemente é vista como a base do desenvolvimento. Números é que nada!


A última referência aos empresários que sofrem... ora estes números é que deveriam ser estudados, bem como o impacto nas condições de negócio e os planos de resiliência.»



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